Manifesto GBRAP
O rap é um agente da memória. A memória dos que não podem ser esquecidos. Reinvoca o espírito dos que não aceitaram ser oprimidos. A herança da luta cabana que nunca cessou.
Nas ruas chuvosas da Amazônia, onde o tempo apaga os elementos do asfalto, o rap é resistência.
As batidas são um registro no tempo, cada faixa traz uma história que ninguém apaga: a nossa! Nós que contamos a nossa própria história!
O rap é o hino dos oprimidos, a continuidade da revolta: nas roupas, nas falas e nos versos. Ritmo e poesia em fluxos frenéticos, onde nossas águas, danças e versos se guiam por uma corrente incontrolável.
Se o rap é um agente da memória, nós somos o arquivo que impede o apagamento. Um gabinete de histórias, memórias, lutas, rap.
Da ancestralidade de Mairi às frenéticas esquinas de Belém. Das telas dos celulares às bancas de revistas. Passado, presente e futuro.
O registro histórico de uma cena viva que pulsa em cada quebrada. Um rap que é nosso, falado por nós.
A documentação de nossa existência, registrando as batidas do ontem para guiar a cena do amanhã. Dos gritos das batalhas aos grafites que marcam os muros.
Música, memória e pertencimento, sob o olhar de quem sempre esteve aqui.
Gabinete do Rap. A memória viva da resistência paraense.
