“É um retrato de quem eu sou”: Kratos fala sobre o single “Matuto”
“Matuto” se refere à um indivíduo que vive no interior ou na zona rural, que age com esperteza, e tem o costume de refletir e analisar profundamente antes de agir, e é a partir dessa definição que surge o novo single de Kratos, rapper de Castanhal (PA), lançado no último dia 12.

A faixa reafirma uma caminhada construída a partir das ruas, das batalhas pessoais e da experiência acumulada em sete anos de carreira. O último lançamento do rapper castanhalense foi “Depois da COP” em parceria com 011Frank, uma faixa que rege críticas ao evento das Nações Unidas na capital paraense e que obteve grande repercussão nas redes.
“Nós que domina esse jogo
Faz a vibe, quebra tudo
Sem gracinha, meu semblante é frio
Pique de matuto”
Kratos em “Matuto” (2026)
Em “Matuto”, Kratos ainda mantém uma escrita direta, em uma versão cada vez mais madura. Produzida, mixada e masterizada por Bauê, a faixa aposta em um beat de trap com elementos de Detroit, explorando flows, rimas e uma postura mais agressiva.
O lançamento também conta com videoclipe inédito, dirigido por Wilker Silva e construído a partir de uma atmosfera visual voltada ao urban trap que reforça as raízes do artista e a retomada de uma identidade mais crua, firme e autêntica.
A particularidade de ‘Matuto’ é justamente essa autenticidade. Não é uma história inventada, é um retrato de quem eu sou e de como eu quero fazer o meu corre acontecer.
Entrevistamos Kratos sobre o processo de criação de “Matuto”, a estética do videoclipe, suas referências musicais, a influência do rap brasileiro e francês, além dos próximos passos de sua carreira.
Confira a entrevista abaixo:
GBRAP: O que trazes de novo nesse lançamento?
Kratos: ‘Matuto’ é uma versão mais madura de mim. É um som que ao mesmo tempo que é verdadeiro, onde eu falo da realidade que eu vivi e ainda vivo, é um som sem filtro, sem personagem.
É uma música que ao mesmo tempo que carrega peso nas linhas, eu chego falando sobre “Pô, é perigoso mexer com um mano que é cheio de sonhos. Está ligado?”
A gente sabe da nossa capacidade, e assim, mano, são sete anos nesse corre. São sete anos que eu já vivenciei muita coisa. Dentro desse jogo, eu sei como funciona os bastidores, eu sei como funciona cada entranha dessa parada.
Então, assim, é um som que carrega muita vivência, muita identidade e eu fiz questão de de transparecer isso na música, na minha postura, no videoclipe (…) É um som que eu brinquei bastante com Flow, um som brinquei bastante com com as rimas que eu fiz. ‘Matuto’ traz uma versão mais madura. Mais madura do Kratos não só como artista, mas também como pessoa.

GBRAP: Há uma retomada estética no clipe?
Kratos: Meu último lançamento foi em outubro do ano passado, foi meu single “Depois da COP”, que foi um trampo que, graças a Deus, teve um alcance absurdo não só aqui no estado, mas também em todo o Brasil. Pela primeira vez, eu consegui furar a bolha, alcançando mais de meio milhão de acessos.
Depois desse tempo que eu fiquei mais reservado, eu tentei focar em algumas coisas também pra fortificar o meu lado artístico. A estética de ‘Matuto’ reforça as minhas raízes dentro do rap. Essa parada mais agressiva, o ambiente que me formou com uma qualidade visual e sonora que há muito tempo eu já venho trabalhando e batendo em cima dessa tecla.
Então, eu trouxe uma estética diferente pra esse clipe, uma estética urbana, aquela parada mesmo bem ‘urban trap’ do jeito que a gente gosta.
Estou muito feliz com esse trabalho, de verdade, porque era um trampo que eu já queria lançar. Desde o primeiro momento que eu canetei, eu já fiquei querendo fazer o clipe, já fiquei imaginando as cenas, então a estética desse clipe ficou do jeitinho que eu imaginei e a galera vai curtir muito.

GBRAP: Quais são as tuas referências e qual a particularidade desse single?
Kratos: As minhas referências nascem das ruas mesmo, das batalhas que eu travei, das experiências que eu acumulei ao longo da vida. Durante esses sete anos de caminhada, tudo eu vou transformando em música, eu transformo minha realidade em música.
Então a particularidade de ‘Matuto’ é justamente essa autenticidade. Não é uma história inventada, é um retrato de quem eu sou e de como eu quero fazer o meu corre acontecer. Sem personagem, sem ficar dando volta. Sou o que eu sou e eu tento passar isso na minha música.
E assim, eu tenho minhas referências musicais também, acompanho muito a cena do rap nacional: VND, Leall, TOKIODK, BK, acompanho muito essa rapaziada. São rappers que eu tenho como inspiração, mas assim, ultimamente eu tenho consumido bastante o rap francês do lado Europeu.
Então, eu tenho consumido bastante o rap francês, são rappers que eu acompanho, que eu tenho consumido muito e está me empolgando demais pra fazer o meu, me empolgando demais pra fazer meu bagulho acontecer também, porque o flow me encanta.
‘Matuto’ além dessas referências pessoais que eu tenho também teve muita influência desse rap que eu tenho consumido. E essa que é a beleza da arte. Essa troca que te empolga e mantém vivo pra fazer teu bagulho acontecer.
GBRAP: Algum planejamento de lançamentos futuros como um EP, álbum, etc?
Kratos: E sobre lançamentos futuros que eu tenho pra falar é: aguardem o melhor!
Tive esse tempo parado pra organizar minha vida, botar as coisas no eixo. Travar batalhas pessoais e é impressionante que sempre eu volto mais forte, eu sempre consigo dar a volta por cima, sempre consigo voltar, dez vezes melhor. Então é isso, tem muita coisa sendo construída, ‘Matuto’ é apenas o começo de uma nova fase.
Existem projetos ainda maiores em andamento, novas músicas, ideias que conversam entre si, então, assim, ainda não posso revelar tudo, mas quem acompanha meu trabalho pode esperar consistência e novidades em breve.


Muito bom!